Capela de Santo Estêvão

A capela de Santo Estêvão fica situada no centro da aldeia, mais propriamente junto à rua do campo de Santo Estêvão.

Santo Estêvão foi o primeiro mártir do Cristianismo, que se diz ter sido apedrejado até a sua morte, sendo considerado santo por algumas das denominações cristãs (católica, ortodoxa e a anglicana), este também, se encontra listado entre os Setenta Discípulos. Este santo foi escolhido para padroeiro da capela, daí o nome: “Capela de Santo Estêvão”.

Segundo uma lenda muito antiga, dizia-se que Santo Estêvão aparecia várias vezes aos pastores que guardavam os seus rebanhos no cimo das encostas do sítio chamado de “Vale Brejo”. Toda a área abrangida pelo aparecimento de Santo Estêvão foi chamada, posteriormente, de “Mato de Santo Estêvão”. Estes pastores, a que Santo Estêvão aparecia, um dia quiseram levá-lo para o lugar de Vargos, possivelmente pelo facto de ser neste mesmo lugar que habitavam, mas o santo não quis permanecer lá e voltou para o cimo do Vale Brejo. Mais tarde, tentaram novamente levá-lo, agora para Carrascos, actualmente Vila do Paço, mas o santo também não quis lá ficar e voltou novamente para o seu lugar, onde permaneceu até à sua morte.

Bem perto do Mato de Santo Estêvão fica o “Campo de Santo Estêvão” onde, em tempos, os Outeirenses jogavam futebol e muitos anos mais tarde, também a rua que liga a capela ao “campo da bola” passando pelo “Largo dos Combatentes da Grande Guerra” foi chamada de “Rua do Campo de Santo Estêvão”.

Acerca da capela, não se sabe ao certo quando foi construída, mas pensa-se que no ano de 1759 já existiria, como parece comprovar-se pela seguinte notificação escrita no livro “Memórias Paroquiais” de 1758 escritas, nesse ano, pelo pároco da paróquia Francisco dos Santos: -"...Está da mesma parte o lugar do Outeiro Grande, com sua ermida de Santo Estêvão, que é do povo, também com seu capelão. “

Ao longo destes anos terá sofrido várias transformações, algumas das quais dificilmente se podem comprovar por falta de testemunhas vivas.

Das mais recentes, por volta de 1950, testemunhada ainda por muitos Outeirenses, foi consequência da destruição do campanário, provocada por um raio, que levou à construção da torre que actualmente existe.

Posteriormente, por volta de 1975, supõe-se que para se proceder a um reaproveitamento do espaço, uma comissão dirigida pelo senhor Duarte Felício, com a anuência do senhor padre Cerejo, iniciou obras que visaram a zona onde se encontra a porta lateral e a parede do altar-mor.

Diminui-se a espessura de ambas as paredes e foi retirada a escada que se encontrava à direita da porta e que dava acesso à torre, ao púlpito e ao coro, tendo estes últimos sido também removidos. Para além destes acessos, esta escadaria era aproveitada para o ensino da catequese e, por baixo, guardava-se a carreta que era usada nos funerais.

À esquerda dessa mesma porta lateral havia uma entrada para a sacristia que era mais espaçosa que a actual e que tinha uma segunda porta que permitia a entrada directa no altar-mor, em talha dourada, que também foi removido. Entre o novo espaço criado com o desaparecimento das escadas e a capela propriamente dita, no sentido do comprimento foram feitos dois arcos que se apoiam ao centro numa coluna. [1]

Sabe-se também que durante esta última grande remodelação da “igrejinha” enquanto arrancavam o soalho do chão, que foi substituído por tacos à excepção do altar-mor que é de pedra, foram encontrados vários ossos e sapatos de senhora, e a justificação, parece estar relacionada com o facto de, antigamente, os falecidos serem sepultados nas igrejas.

Recentemente, em 2010, voltou a receber obras de melhoramento, com a recuperação do antigo sacrário, dos candelabros, apliques da parede e pintura de todo o seu interior, trabalho pelo qual se responsabilizou Vasco Serra.

Actualmente, no exterior da capela, existem uns degraus que dão acesso à porta principal, onde ao lado direito se pode ver um pequeno painel de azulejos que reza o seguinte: “A VIRGEM MARIA SENHORA NOSSA FOI COSEBIDA SEM PECADO ORIGINAL, 1940”. Ao entrar por aqui, à esquerda, está ainda a pia da água benta muito antiga, feita em pedra. Na parede exterior do altar-mor, existe um outro painel de azulejos com dimensões aproximadamente de 1.20mx0.90m, com um retrato de Santo Estêvão. No interior da Capela estão expostas várias imagens, tais como: Santo Estêvão, Nossa Senhora da Conceição, Menino Jesus e a Nossa Senhora de Fátima. O altar em pedra maciça tem cerca de 2.50 metros de comprimento e 1 metros de altura.

Algumas das imagem ainda hoje veneradas na capela de Santo Estêvão são:

  • Nossa Senhora de Lourdes: esta imagem foi levada para casa da Srª Albertina Vieira de Sousa Rocha, não se sabe por quem e qual teria sido a razão. Anos mais tarde seu filho, José Manuel Sousa Rocha, levou-a para a capela com o intuído de lhe “devolverem o que me pertence” (carta de 25 de Dezembro de 1990, onde Sr José Manuel Sousa Rocha informa ter em sua posse a imagem de Nossa Senhora de Lourdes);
  • São Sebastião: comprada e oferecida por Maria do Manuel Paixão, em virtude de uma promessa feita na altura de uma epidemia de varíola ou bexiga;
  • Menino Jesus: comprado por Maria da Graça (parteira), com o dinheiro conseguido numa festa de crianças;
  • Primeira imagem de Nossa Senhora de Fátima: oferecida por um familiar de Júlio Gonçalves residente em Lisboa. Esta imagem terá desaparecido, possivelmente ter-se-á quebrado devido ao material de que era feita.
  • Santa Tesinha do Menino Jesus, dada por Marquinhas Alves Santo Estêvão (velho): segundo o livro "Património Artístico do Concelho de Torres Novas" sabe-se que esta imagem, “tem 63 cm e é em pedra policromada. A imagem descansa numa pedra, com coroa de rei sobre duas palmas. A pedra sobre a qual está a imagem do santo foi achada junto à Igreja Paroquial”.

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[1] Foi quando procedia ao enchimento dum destes arcos que o Sr. Norberto, conhecido e respeitado Outeirense, sofreu um acidente, caindo de um andaime, o que o obrigou a ficar hospitalizado durante 10 dias, os primeiros dos quais em estado muito grave, com um traumatismo abdominal, com hemorragia interna.